domingo, 25 de fevereiro de 2007

Memória (In memorian)

Carnaval é muito bom. Mal termina e as pessoas já pensam nos festejos do próximo ano. Mas antes que o outro chegue, já pensamos como vão ser nossos festejos juninos e afins. Brasileiro adora uma farra. Adora uma purpurina, tudo colorido. Quem esquece de uma festa dessas? Maravilhosa.

São nessas festas que nós podemos esquecer um pouco dos problemas pessoais e aqueles que afligem a sociedade. Olvidamos dos nossos problemas, não do carnaval, não importa a quantidade de cerveja ingerida. E o nosso cotidiano? Esquecido, afinal, quem quer lembrar de conta pra pagar, de questões do trabalho ou da faculdade, de ter que pegar ônibus lotado na próxima quinta depois das festas carnavalescas, se alguém está sendo assaltado ou se tem certos políticos te “representando” em Brasília ? Quem quer lembrar que uma família foi queimada viva no interior de São Paulo, incluindo um garoto de 5 anos? Não olvidar que tem gente morrendo em fila de hospital por falta de atendimento? Que um drogado matou os avós com um pé-de-cabra. Quem quer lembrar que pode ser assassinado por um garoto de 12 anos num assalto? De fato, há uma amnésia temporária.

Carnaval é muito bom. Mas não podemos esquecer que existem outros momentos em nossas vidas. Fatos que podem acontecer e que não são muito felizes. Exemplo: um garoto de 6 anos não pôde vestir sua fantasia pra pulá-lo porque foi esfolado vivo em praça pública, arrastado por vários bairros, pendurado pelo cinto de segurança. Que sua família agora amarga uma dor terrível porque delinqüentes – pra não dizer animais – queriam roubar simples objetos de dentro do carro e acabaram por cometer um suplício. Essa festa foi estragada para uma família. As vidas dos seus membros também. Pergunto: os parentes do garoto se esquecerão desse carnaval? Não. A pena é que eles não esquecerão dessa época por um outro motivo. Um triste motivo.

Não deixemos esvair-se de nossas mentes esse crime e tantos outros. Isso é outra crueldade. Nossa memória está aí pra lembrar de coisas além de festas carnavalescas, como o fato de um menino que não pôde aproveitar a purpurina.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

O tabu do homossexualismo

Era uma tarde comum de final de semana aqui em casa, tarde na qual de hábito eu, meu irmão e minha mãe tomávamos uma cerveja, assistíamos tevê e conversávamos. Aquele barulho só, ninguém entende o que se está conversando nem entende o que se fala na tevê. Saiu meu irmão, ficamos conversando eu e minha mãe um assunto que nunca tínhamos tocado: homossexualismo.

Conversa vai, conversa vem, tocamos no nome de um parente nosso que é homossexual, e minha mãe falou como conversou e tentou convencer o pai desse garoto a aceitar o filho. Sábias palavras as delas: “Feio é roubar e matar, não amar, mesmo que essa pessoa seja do mesmo sexo. Qual a diferença? Amor é amor!”.

Brincamos na conversa, quando ela disse que não teria problema nenhum se um filho dela fosse gay. Ri e falei que aquilo era muito legal, mas que pelo menos eu não era. Depois fiquei pensando: nossa, que desperdício. Quantas pessoas são homossexuais e são discriminadas dentro da própria casa e eu, que não sou, tenho uma mãe com esse tipo de pensamento. Fiquei pensando sobre o que leva ainda as pessoas a terem esse tipo de visão, esse pensamento retrógrado que é um verdadeiro atraso para a sociedade, atraso este que só gera a xenofobia e, conseqüentemente, o desrespeito e muitas vezes a violência.

Por que esse desrespeito? São essas pessoas tão diferentes de nós? Que nada. Vários homossexuais tiveram muito destaque no mundo, tantos tão inteligentes, podendo citar alguns como Renato Russo, Cazuza, Kurt Cobain – sim, ele também-, Cássia Eller. Não só no mundo artístico, como no mundo literário, onde temos Oscar Wilde e Lord Byron.

O que mais me deixa abismado é as pessoas encararem o homossexualismo como doença ou como uma forma de um indivíduo chocar a sociedade. Uma coisa é certa, um heterossexual convicto tem outras formas de querer chocar a sociedade. Outra, defendo muito a teoria de que o homossexualismo já nasce no ser, seria uma coisa totalmente natural. Quem é que explica o homossexualismo entre animais, como leões? Vai dizer que um leão se revoltou e quis chocar seu grupo? Bobagem. Ninguém entende a libido dos seres.

Depois de uma breve reflexão eu cheguei à conclusão de que tenho esse pensamento por ser criado num ambiente onde não predomina o desrespeito às diferenças. Este é o motivo. “’O meio faz o homem’, teoria behaviorista”, como diria uma amiga psicóloga. Então deve ser o meio em que esses preconceituosos vivem que fazem com que estes tenham essa forma de pensamento. Talvez outros motivos também. Pobres primatas.

Enquanto o mundo não muda, repito aqui as breves e sábias palavras de minha mãe, pra ver se tem algum efeito em quem lê esse texto e tiver alguma ponta de preconceito. De acordo com suas palavras amor é amor. Não existe diferença.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Repúdio aos verdadeiros burros e ignorantes.

Venho aqui por meio destas palavras explanar sobre algo que me deixa triste por saber que eu sou brasileiro feito esse tipo de pessoas. Essas pessoas que desconhecem o Nordeste brasileiro e, assim, falam qualquer asneira sobre esse território. Pessoas influenciadas pela mídia que só traz imagens da seca e sofrimento, como se tão vasta região só se resumisse a isso. Quantas vezes nós, nordestinos, deparamo-nos com o preconceito de pessoas mal informadas sobre nossa região? É uma tortura ter que ouvir pessoas falarem que o nordestino é sofredor, que o nordestino não vive, sobrevive e mais, que o nordestino é burro.

Há alguns meses li um breve comentário numa página do Orkut que realmente me deixou indignado. Um rapaz entrou em uma comunidade sobre o Nordeste e falou que essa região só tinha gente burra, pessoas que não tinha o mínimo discernimento político, que nós sofríamos por votar e sofreríamos se continuássemos votando em pessoas como Fernando Collor de Mello, fazendo-o voltar ao Congresso Nacional e, conseqüentemente, ao cenário político brasileiro. Em parte essa pessoa tem razão, mas pelo comentário impertinente e prepotente que ele fez, perdeu toda parte da razão que tinha.

Resolvi ver de onde esse “nobre” irmão brasileiro era e, abisme-se: mesmo com toda a pompa de intelectual político e ar de superioridade perante os outros – as comunidades dele eram basicamente relacionadas ao social e política – esse nobre é do estado de São Paulo. Por que “abisme-se”, podes perguntar. São Paulo não é o estado mais rico do Brasil e o que oferece melhores condições de vida para as pessoas, como a educação? Sim, responder-te-ei. Mas apesar disso, foi esse estado que, na minha opinião, mais envergonhou o cenário político do Brasil. Explicarei.

Dia 1 de outubro de 2006, dia de eleição nacional. Pra mim esse dia foi um pouco fatídico. Gosto de política e gosto de acompanhá-la, mas desse dia em diante perdi parte do interesse, sem exageros. Estava eu a acompanhar os resultados das eleições quando recebo a notícia que também serei representado na Câmara dos Deputados por três pessoas que não me agradam, nem nas suas reais profissões e quanto mais como deputados. Quem são essas pessoas? Paulo Maluf, Frank Aguiar e Clodovil. Sim, o primeiro que está envolvido em corrupção até o pescoço, que se ele não for interrogado numa CPI pelo menos uma vez em seis meses, pra ele não tem graça, outro que chama atenção pelo seu “aaaaaauuuu” e pelas músicas sem pé nem cabeça e o terceiro pelo seu jeito execrado e prepotente de ser, que adora chamar a atenção e que, mesmo se achando “inteligentérrimo”, não oferece nada de construtivo para os telespectadores e agora para toda a população brasileira. E olhe que ele foi eleito com incríveis 493.951 votos, muito para uma pessoa que tinha como jargão político o clichê “mexe com quem tá quieto”. Aliás, ele e o senhor Paulo Maluf foram um dos deputados mais votados do Brasil.

Ah! Quase ia me esquecendo, onde eles foram eleitos? No grande e rico estado de São Paulo, reduto do indivíduo “X” que execrou o nordestino, que chamou de burro esse povo batalhador e que faz o Brasil crescer cada vez mais.

Vale salientar que o preconceito não vem só desses estados e que também ele não é generalizado. Mas deixo o recado para as pessoas que o têm

É. É melhor percebermos nossos erros para depois falarmos dos erros dos outros.