Carnaval é muito bom. Mal termina e as pessoas já pensam nos festejos do próximo ano. Mas antes que o outro chegue, já pensamos como vão ser nossos festejos juninos e afins. Brasileiro adora uma farra. Adora uma purpurina, tudo colorido. Quem esquece de uma festa dessas? Maravilhosa.
São nessas festas que nós podemos esquecer um pouco dos problemas pessoais e aqueles que afligem a sociedade. Olvidamos dos nossos problemas, não do carnaval, não importa a quantidade de cerveja ingerida. E o nosso cotidiano? Esquecido, afinal, quem quer lembrar de conta pra pagar, de questões do trabalho ou da faculdade, de ter que pegar ônibus lotado na próxima quinta depois das festas carnavalescas, se alguém está sendo assaltado ou se tem certos políticos te “representando” em Brasília ? Quem quer lembrar que uma família foi queimada viva no interior de São Paulo, incluindo um garoto de 5 anos? Não olvidar que tem gente morrendo em fila de hospital por falta de atendimento? Que um drogado matou os avós com um pé-de-cabra. Quem quer lembrar que pode ser assassinado por um garoto de 12 anos num assalto? De fato, há uma amnésia temporária.
Carnaval é muito bom. Mas não podemos esquecer que existem outros momentos em nossas vidas. Fatos que podem acontecer e que não são muito felizes. Exemplo: um garoto de 6 anos não pôde vestir sua fantasia pra pulá-lo porque foi esfolado vivo em praça pública, arrastado por vários bairros, pendurado pelo cinto de segurança. Que sua família agora amarga uma dor terrível porque delinqüentes – pra não dizer animais – queriam roubar simples objetos de dentro do carro e acabaram por cometer um suplício. Essa festa foi estragada para uma família. As vidas dos seus membros também. Pergunto: os parentes do garoto se esquecerão desse carnaval? Não. A pena é que eles não esquecerão dessa época por um outro motivo. Um triste motivo.
Não deixemos esvair-se de nossas mentes esse crime e tantos outros. Isso é outra crueldade. Nossa memória está aí pra lembrar de coisas além de festas carnavalescas, como o fato de um menino que não pôde aproveitar a purpurina.