Falarei como um cidadão que não agüenta mais ver na tevê marginal matando de forma cruel e a mídia dizendo que isso é culpa do governo, que o problema está na má distribuição do dinheiro, que tem gente passando fome, que daí vem a originalidade da violência e tudo mais. Em tese é isso, mas na prática não. Chega dessa desculpa. Uma coisa é vermos um garoto roubando pra comer, pra ajudar a família. Outra coisa é vermos um garoto acabando com a vida de alguém só pra roubar uma carteira, um celular. Um indivíduo de 17 anos com uma arma na mão que tira a vida de um jovem, de um pai de família ou de um aposentado. Já é hora de pôr fim em tanta desculpa. Às vezes o problema não é social, é pessoal. Está na índole do indivíduo.
Hodiernamente tem-se discutido sobre a questão da redução da imputabilidade penal, que é de 18 para 16 anos. Muitos são contrários a essa redução. Dizem que não resolverá o problema da violência, que não adianta nada o indivíduo ficar preso e sair pior do que já é, que enquanto o sistema prisional no Brasil for falho o melhor é não prender. Acredito que o sistema carcerário de nosso país não é um dos melhores, mas não podemos deixar impunes aqueles que não merecem conviver com a gente, cidadãos de bem.
Já que um garoto de 16 anos não teve piedade ao matar uma menina e seu namorado numa fazenda, nem outro menor teve pena ao arrastar uma criança por várias ruas no Rio de Janeiro, venho aqui pra dizer que também não podemos ter pena de gente que comete essas atrocidades. Quando usam drogas, roubam e matam, os adolescentes viram homens. Quando há a possibilidade de serem responsabilizados pelos seus atos, eles querem colo pois “não sabiam o que estavam fazendo”.
Sou a favor dessa redução para que, mesmo que essas pessoas não consigam se socializar novamente – o que é a função basilar da lei penal, fazer com que os infratores consigam retornar à sociedade - , cumpram pena pelos seus atos.
Creio eu que realmente o meliante poderá não se “regenerar” quando estiver recluso, mas já é um sentimento de alívio ao saber que alguém que matou uma pessoa por pura maldade será punido. É um alívio ao saber que é menos um nas ruas. Que a família da vítima ou a própria vítima saibam que não ficou tudo em vão.
Não podemos deixar que comecem a falar que, além dos ricos, a Justiça só trabalha em benefício dessas “criancinhas inocentes”. Acordemos! Chega de passar a mão na cabeça de quem não merece.