A religiosidade me persegue. Volta e meia me deparo pensando nela. Acho que um dia eu vou ser padre ou pastor, budista ou líder xiita. E o que me deixa mais abismado é que no presente momento nem religião eu tenho. Ainda tenho dúvidas se Deus existe ou não. Sabe lá se existe. Quando eu fui batizado eu não tinha discernimento suficiente pra saber se queria que molhassem minha cabeça com água benta, nem sabia andar pra sair correndo daquela bacia, caso quisesse. Não me acostumo com o que me dizem mas não me provam. “Deus existe, Ele é bom, etecétera e tal.” Certo, mas quem prova? Realmente já estou cansado de questionar alguns fatos bíblicos, por exemplo, e alguém me falar aquela célebre frase que foi porque Deus quis. Bela resposta.
Realmente religião é uma coisa difícil de se entender, e as pessoas, creio eu que por comodismo, não querem entendê-la realmente, não procuram a sua gênese, não se obstinam a questionar, a conversar com os outros, simplesmente aceitam o que seus pais impõe, sem pensar que seus avós impuseram a mesma pra seus pais, que seus bisavós empurraram goela abaixo o “Jesus Cristo é Salvador” nos pais de seus pais, e assim sucessivamente. Desse jeito, a sociedade vai caminhando.
Muita gente diz que tem fé em Deus e que Ele é único, mas eu me pergunto, já pensou se tivéssemos nascido em outra sociedade? Se tivéssemos nascido numa tribo africana, nós, provavelmente, muito provavelmente, iríamos crer nos deuses que essa tribo crê. E se fôssemos de um país do Oriente Médio? Ah, seríamos do Islã. E lá no Tibet? Provavelmente dedicaríamos nosso lado espiritual a Buda. Sabe o que eu tiro disso? Que dependendo do lugar que você nasceu vão te ensinar que Buda é bom, que Ala é bom, ou que Deus é bom. Isso é só uma questão geográfica. Todo lugar tem o seu deus. Se cada um diz que o seu deus é único, em quem acreditar?
Pra mim, a imposição religiosa se assemelha a um fato que acontecia na Idade Média, onde os jovens eram obrigados a casar com desconhecidos bons partidos, e ainda vinham com a desculpa que o amor pelo companheiro vinha depois. O mesmo acontece com a religião. Você batiza seu bebê pra quando eles crescerem se acostumarem com o que lhes impuseram e depois, quem sabe, acabar gostando daquela. Mas sabe lá se eles vão querer isso depois. Quem são os pais pra decidirem sobre isso?
Um fato que eu ligo muito à religião, e que eu acho um ponto positivo, é a questão da proteção passada para as pessoas que a ela são ligadas. Quando uma criança corta o pé, ou quando lhe puxam o cabelo, ela logo vai ao encontro da mãe ou do pai pra lhe protegerem, pra tratar a sua amargura. Quem vai proteger um pai de família que está desempregado e cheio de dívidas? Quem vai proteger uma mãe que está vendo seu filho à beira da morte onde nem os médicos são mais capazes de salvá-lo? Resposta para esse pai e mãe: Deus, ou Alá, ou Buda ou mais alguém. Esse é o papel basilar da religião. Substituir os pais das criancinhas que cresceram. Eles procuram uma figura que substitua os pais que agora não podem mais ajudá-los. Alguém superior a todos. Essa fantasia em que as pessoas vivem é sempre sua última esperança.
Enquanto não me provam com fatos concretos, vou tentando desvendar tudo isso que cerca essa questão, esse subjetivismo, esse transcendentalismo. Mas creio eu que as religiões são importantes para a sociedade, para o mundo, afinal, quem é que vai acalmar os nervos desse pessoal todo, remédio? Remédio às vezes vicia. Nossa, religião também!